Atos em memória do histórico concerto de 10 de Maio de 1972

Imagens da projeçom do Zeca 1972 Galiza na Gentalha do Pichel. 

Este ano o aniversário do histórico concerto no Burgo das Naçons, em Compostela, que passou à história como a primeira vez em que a Grândola, Vila Morena era cantada ao vivo, contou com duas atividades especiais para lembrar esta data.

Em primeiro lugar, na semana do 25 de Abril foi apresentado o documentário elaborado pola produtora Xarda com a colaboraçom de Nós Televisión e com o que desde a AJA-Galiza tivemos o prazer de colaborar também. O sábado 8 de Maio na Gentalha do Pichel organizamos, junto coa Xarda, umha projeçom ao vivo. Após a visualizaçom, o participativo público deixou un interessante colóquio conducido por Elena Martín e Pablo Santiago, realizadores do documentário, e Odilo González, da AJA-Galiza. Um colóquio que permitiu também achegar novos dados e resolver muitas dúvidas.

Para quem nom tivera a oportunidade de o ver ainda o pode topar completo nesta ligaçom.

Imagens do ato de lembrança a José Afonso e Benedicto García Villar no Burgo das Naçons

O domingo 9, na véspera do 49 aniversário do histórico concerto, pudemos realizar o modesto mas emotivo ato que já estava previsto para o 25 de Abril, mas que  as más previsons meteorológicas obrigárom a adiar. Sob a legenda “Vozes da Liberdade” lembramos as figuras de Benedicto, principal impulsor daquele concerto, e José Afonso como umha metáfora das relaçons entre a Galiza e o Portugal antifascistas, que perduram até hoje.

Ao ato assistiu umha representaçom de várias geraçons da família de Benedicto Garcia e mesmo de achegados ao José Afonso vindos desde Portugal. Interviu em primeiro lugar a concelheira de Acçom Cultural, Mercedes Rosón, que lembrou que ainda existe umha dívida com o Benedicto na cidade. Também estavam presentes membros da cámara municipal de Compostela Aberta e do BNG.

Depois Odilo González, Presidente da AJA-Galiza, interviu lembrando a importáncia histórica daquela amizade entre Benedicto e José Afonso que se mantivo toda a vida e que achegou Galiza e Portugal cultural e politicamente. Episódios vitais que falam da necessidade destas relaçons e das luitas pendentes contra o fascismo e pola liberdade. Podes ler mais abaixo o discurso completo.

Depois da oratória Falua deixou-nos a sua intervençom musical dedicada também a esse relacionamento com a lusofonia, da que Galiza nom pode ser alheia. Desde a Galiza passando por Portugal ou Cabo Verde, a voz e a música de Falua encheu de novo o Burgo das Naçons de irmandade.

Para rematar a ato desprazamo-nos ao pátio, onde inicialmente estava previsto realizar o encontro, para inaugurar o mural realizado pola AJA-Galiza para a ocasiom e que pretende achegar às geraçons presentes e futuras de estudantes aquele feito e os valores que cantavam. Um mural de 13 x 2,5 metros inspirado numha fotografia do concerto de vários cantores no Paço de Bendanha no ano 73, no que José Afonso e Benedicto compartírom cenário e microfone. No mural colocou-se umha placa que referência àquele concerto de 10 de maio de 1972 no Burgo, ao Grândola e à relaçom dos dous geniais cantores. Duas geraçons encarnadas por Maite Angulo e Nicolás Nistal, companheira e neto do Benedicto, fôrom as responsáveis de descobri-la. Com a leitura do seu contido, o emotivo canto da Grândola deu fim a um ato emocionante e achamos que também mui necessário.

Discurso do Presidente da AJA Galiza

Bom dia a todas:

Como cada ano, desde a AJA Galiza organizamos umha jornada reivindicativa na que comemoramos a revoluçom dos cravos, ainda que desta volta duas semanas após a efeméride, num ato que tivemos que adiar por mor da meteorologia. A celebraçom deste evento nom é umha casualidade ou um capricho dum grupo de pessoas, senom que esta data tem um grande significado para boa parte da sociedade galega.

O 25 de abril de hai 47 anos em Portugal o povo reclamou liberdade e democracia. Desta maneira, derrubarom o estado novo e sanearom as suas instituçons de todo o aparello fascista que até entom as controlava.

Nós pola contra, alem do Minho, olhavamos para a outra Ribeira com esperança e com anceios de imitar a curto praço a revoluçom das flores encarnadas que estávamos a presenciar. Mas, como sabemos aqui a historia foi diferente: o nosso ditador morreu na cama, com funeral de estado e os fascistas do governo aplicarom algo de aperturismo para seguir formando parte da cúpula das elites dirigentes. Desta maneira, chegamos ao dia de hoje, a um estado que arrastra eivas fundamentais, um poder judicial sesgado cara a direita mais escorada, um exército moi politicamente situado em posiçons reacionárias e autoritárias, umhas cunetas cheias de represaliados e umha memória ainda sem recuperar, entre outras questons. Todas estas som diferenças fundamentais com as nossas irmás do sul, que como digen, derrubarom o fascismo o 25 de abril do 74.

Comentava ao principio que é umha data importante para as galegas e os galegos, mas nom só por ser um fito histórico mundial, marcando a última revoluçom europeia até os nossos dias. Também porque em Portugal, estavam exiliadas, ou alí morando muitas compatriotas. Destas últimas, podemos destacar a Celeste Caeiro, filha da galega Teodora Caeiro nai trabalhadora e agarimosa que educou a Celeste com pensamentos progressistas. Isto produziu, que o próprio 25, umha vez que se soubo da irrupçom dos capitáns de abril, Celeste saíra cum feixe de cravos do restaurante no que trabalhava, os quales em principio iam a ser para clientas do restaurante, e as comezasse a repartir entre os soldados. O que sucedeu a continuaçom é umha historia bem conhecida, estes os introduzirom nos canons dos seus fusís, uníronse floristas no reparto e criaron desta maneira o símbolo que lhe dá nome à data que hoje estamos a lembrar.

Mas a celebraçom neste ano também é diferente, já que nom só queremos lembrar ao Zeca e à revoluçom dos cravos, senom também a Benedicto Garcia Villar, como podedes ver no mural que tedes enfronte. Benedicto, umha das caras visíveis de “Voces Ceibes”, viaxa em abril de 1972 a Setúbal, en Portugal, para conhecer José Afonso e traba amizade com el, sendo o artífice da estreita relaçom que o Zeca tivo com Galiza, ao ser convidado por el mesmo a realizar umha gira por Galiza, entre a que se atopava um concerto celebrado aqui mesmo, no Burgo das Naçons, no 10 de maio de 1972, hai hoje quase 49 anos. Foi neste espaço onde o Zeca cantou por vez primeira em público o icónico “Grândola, Vila Morena”, praticamente dous anos antes de converter-se no símbolo da revoluçom em Portugal. 

O própio José Afonso manifestou que por intermédio do Benedito, conheceu na Galiza “uma certa forma de resistência ao franquismo. Uma resistência cultural e política”. “A primeira vez que cantei Grândola em público foi na Galiza. A malta estusiasmou-se. Criou-se um efecto de fraternidade muito intenso. Punham-se de pé, cantavam, agitavan os braços… Foi a experiencia mais maravilhosa, algo especial. Talvez ninguem me entendesse como na Galiza”, manifestou José Afonso numha entrevista posterior.

Entre os anos 1972 e 1974 Benedicto acompanha a José Afonso em distintas giras, incluso participando na gravaçom num disco. Já após a morte do Zeca, Benedicto foi o impulsor de diversas conferências e homenagens à sua pessoa, espalhando a sua música e reivindicaçons entre a sociedade galega da época.

Polo tanto, baixo a legenda de “Vozes da liberdade”, dende a Associaçom José Afonso Galiza queremos lembrar a Benedicto, ao Zeca e a todos os valores que impregnarom a revoluçom do 25 de abril. Por suposto, aproveitando o adiamento que sufriu este acto, também queremos lembrar o histórico concerto que o Zeca convidado por Benedicto deu neste lugar há case medio século. 

Queremos agradecer a súa familia, amizades, asociadas da AJA-Galiza, estudantes, Gentalha do Pichel, Concello de Santiago e Universidade de Santiago a vosa presenza, colaboración e participación neste acto. Convidámos-vos a ler a placa conmemorativa que conta esta historia, no lateral do mural elaborado pola AJA-Galiza, para que estudantes de hoje e de manhá conhezan a mensaxe na procura da liberdade que nos deixaron persoas como José Afonso e Benedicto.

Dende a AJA sabemos que a memoria e os valores que representam José Afonso e Benedicto acompañaramnos muitos anos máis. É temo-lo claro, pois confiamos no povo, o qual no seu dia cantanva nos concertos de voces ceibes “Abaixo a dentadura” de esse can de palleiro. A dentadura, ou o que fica de ela, caerá mais cedo que tarde e, como cantava Benedicto no seu tema “Dorna”, “O porto sabémo-lo, havemos chegar”.

Obrigado.

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