Aberto o prazo para participar na I Bienal Internacional de Mail Art Zeca Afonso

A Associaçom José Afonso – Galiza organiza a I Bienal Internacional de Mail Art Zeca Afonso sob a temática das línguas minorizadas para reflectir situaçons de subordinaçom idiomática tanto do galego como das existentes noutras partes do mundo. As pessoas interessadas em participar tenhem de prazo até 1 de Maio; as bases e o endereço para enviar as obras artísticas podem ser comprovadas na web http://www.aja.gal

A AJA-Galiza escolheu o suporte do Mail Art para esta actividade criativa com o fim de tornar visível a situaçom das línguas em conflito, das que também se fixo eco José Afonso. A exposiçom inaugural realizará-se en Maio de 2019, ligada às celebraçons do Dia das Letras Galegas, que comemora a literatura em língua galega. No final do período expositivo, a AJA Galiza editará um catálogo digital de todas as obras, que será remitido às pessoas participantes por correio electrónico junto com um certificado digital que acredite a sua participaçom.

Mail Art é a denominaçom que se emprega para designar umha actividade artística que utiliza como meio de expressom a distribuiçom postal. Estes envios postais podem ser desde mensagens, collages ou consignas até poemas, relatos curtos ou pinturas.

Poderám participar nesta bienal todas as pessoas que o desejaren, profissionais ou amadoras, com um máximo de três obras originais e com técnica livre. As obras deverám ser originais ou reproduçom adaptada para o formato postal de obras originais. Todas as obras deverám estar livres de direitos de terceiras pessoas, assumindo esta responsabilidade a pessoa que envia a postal. O único formato admitido para este concurso será o postal, com um tamanho máximo de 15 x 9 cm (6 x 3,5 polgadas) para oferecer um melhor discurso expositivo nos distintos espaços destinados para isso.

Nom serám aceitas obras sexistas, homofóbicas ou contra os valores democráticos, polo que a admissom das postais fica sujeita à valoraçom prévia por parte de membros da AJA Galiza.

As obras recebidas poderám ser expostas em distintos espaços tanto físicos na Galiza e em Portugal, aproveitando a rede de que dispom a AJA Portugal, quanto virtuais através da web www.aja.gal ou nas redes sociais de acordo com a pretensom de difundir a iniciativa. A informaçom referente aos locais e às datas de exposiçons estará disponível no website da AJA Galiza e também nos seus perfis das redes sociais.

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6 dias atrás

AJA Galiza

Aniversário da AJA

A AJA faz hoje 33 anos. Foi fundada por pessoas que não queriam que a memória de José Afonso, tanto como artista como ser humano, se esfumasse, na força das ideologias e na indiferença dos dias. Ao longo destes 33 anos houve altos e baixos na Associação mas nunca esmoreceu essa vontade de criar desassossego, como defendia José Afonso.

Esta data que hoje celebramos em confinamento, tem sido recordada com várias actividades realizadas pelos diferentes Núcleos e, nos últimos anos, com um Concerto que de alguma forma recorde o homem e o artista, cujo legado nos continua a emocionar e a transmitir mensagens de necessidade de alerta permanente na defesa da dignidade dos seres humanos.

Este ano, o tempo passou da mesma forma, mas decorreu de forma muito diferente. O que tínhamos planeado para este dia evaporou-se com a entrada de um vírus no nosso quotidiano que impôs a adopção de normas, comportamentos e ritos em que o afastamento de uns e outros é prioritário. Como festejar algo sem que as mãos se dêem, os corpos se abracem, as bocas se mostrem num sorriso pelo encontro?

Hoje somos dominados por um vírus com direito de antena diária, com contagem dos seus mortos, dos infectados, que de forma velada instaura o pânico, o medo ou então o seu aposto-o negacionismo- que é a forma mais perigosa de lidar com a situação. Que a estratégia do choque não seja a de aproveitar esta pandemia tão perigosa para instalar o medo, antes faça compreender que estamos num momento de encontro histórico da humanidade, faça perceber que há outras formas de ver o mundo, de viver a vida sem depredação, de modo humano, com amor, com consciência da vida breve. Sim, estamos em risco permanente. Viver é arriscado. Mas temos que saber aceitar o risco e saber geri-lo ao ponto de não ficarmos travados pelo medo. Esse medo que traz à superfície a parte pior de cada ser. O medo é um campo fértil para a xenofobia, os falsos moralismos, o julgamento do comportamento dos outros. Esta ameaça planetária, obscura, criou de tal modo uma emoção global que estaremos muito abertos para que limitem as nossas liberdades em prol da segurança. Só que a dicotomia entre liberdade e segurança não existe. É uma falácia. Só com as armas da liberdade se pode dar respostas concretas à falta de segurança, não só a nível sanitário mas em todas as outras dimensões da vida.

Achamos que estamos num momento histórico da humanidade. Será que o saberemos aproveitar? Faz-nos falta o conselho de Zeca e outros que, como ele, viam mais longe porque sempre voaram mais alto.

Viva, Zeca Afonso! Viva a AJA!

(texto de Guadalupe Magalhães Portelinha)
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